Jornal da UNESP - Protesto em Istambul deixa dezenas de feridos

19 junho 2013

Comments

0
 junho 19, 2013
 0
Category CEIRI na Mídia

No último dia 31 de maio, dezenas de turcos se envolveram em um protesto contra a demolição do Parque Gezi, em Istambul. O que começou como uma manifestação pacífica, acabou como uma ação contra o governo turco. A polícia local foi acionada e dispersou  os manifestantes, que acampavam na praça desde o último dia 28, com o uso de jatos d’água e gás lacrimogêneo.

Em cidades como Esmina e Adana também houve protestos de apoio à causa. Na capital Ancara, milhares de pessoas marcharam pelo centro da cidade, até a polícia confrontá-los com gás lacrimogêneo. O número de detidos na ação em Istambul contabilizou 63 pessoas e, segundo os médicos locais, 13 pessoas sofreram traumatismo, incluindo dois deputados da oposição e um turista de origem árabe.

O uso excessivo da força da polícia contra os manifestantes foi criticado pelas organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional e Human Rights Watch. O parque Gezi é considerado o pulmão verde do centro europeu da cidade de Bósforo, um dos poucos espaços verdes restantes em Istambul. O plano de demolição do local envolve a construção de um projeto urbanístico, que inclui a reconstrução de antigos postos militares otomanos e a construção de um centro comercial e cultural.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, acredita na necessidade de se respeitar os direitos das pessoas de se manifestarem. “Acreditamos que a estabilidade a longo prazo, a segurança e a prosperidade da Turquia só serão garantidas com a proteção das liberdades fundamentais. Isso é o que eles [os manifestantes] pareciam estar fazendo. Estas liberdades são muito importantes em uma democracia saudável”, disse.

Uma estudante presente no confronto explica as ações: “Os manifestantes querem continuar, querem protestar. Já não se trata apenas de árvores. Trata-se do que as pessoas pensam da reação do partido de Erdoğan”. Recep Tayyip Erdoğan é o primeiro-ministro da Turquia, e líder do Partido da Justiça e Desenvolvimento, conhecido no país como AK PARTI, que representa a maioria na Grande Assembléia Nacional da Turquia. Ele exigiu, no último dia 7, o fim das manifestações que pedem sua demissão, adotando uma postura combativa em relação as manifestações e afirma que os protestos perderam seu “caráter democrático” e “cederam ao vandalismo”.

Marcelo Suano, Diretor do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) explica que os protestos para a renúncia de Erdoğan certamente causam preocupação ao governo com relação à estabilidade política do país, bem como com a continuidade do grupo no poder. “Erdoğan, por sua vez, está adotando a postura comum na região, em que as autoridades contestadas enfrentam os manifestantes acusando-os de vandalismo, de terrorismo, de anarquismo e chegando mesmo a usar os discursos de que está havendo interferência externa para estimular uma manifestação visando torná-la uma rebelião. Nesse sentido, a identificação que Erdoğan faz é de que a ação é obra de seus opositores que estão disseminando ideias para levar o povo à derrubada do governo. Por isso, ele tem demonstrado que manterá o procedimento de confrontar os manifestantes”, explica.

Link: http://www.mundodigital.unesp.br/webjornalnovo/19/06/2013/protesto-em-istambul-deixa-dezenas-de-feridos/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This template supports the sidebar's widgets. Add one or use Full Width layout.