19 agosto 2010

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 agosto 19, 2010
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Participação do CEIRI em Colóquio, promovido pelo Ministério Público, sobre Tráfico de Pessoas e de Órgãos

19-08-10  II Coloquio Trafico de Pessoas 063O auditório do Ministério Público de Goiás sediou nesta quinta-feira (19/8), o II Colóquio – Tráfico de Pessoas no Estado de Goiás. Promovido pelo Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas em Goiás (NETP-GO), o evento discutiu o tráfico humano em duas vertentes: para o trabalho escravo e para remoção de órgãos. A Semira participou do Colóquio, através da representante da Superintendência da Mulher, Maria de Fátima Sócrates.

A organização do evento foi do coordenador do Núcleo de Enfrentamento do Tráfico de Pessoas em Goiás, Saulo de Castro Bezerra. Durante a manhã, o evento focou discussões sobre o tráfico de pessoas para remoção de órgãos cujos temas foram debatidos  pelo coordenador nacional da Política de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, Ricardo Lins, do Ministério da Justiça; pelo psicanalista Cid Roberto Bertozzo Pimentel, representante do Ministério da Saúde, e pela consultora Daniela Alves Pereira de Andrade, do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI).

Dados considerados importantes divulgados pelo CEIRI é que no mercado internacional o preço de um coração, por exemplo, o órgão mais caro, é de U$100 mil; e o mais barato, a córnea, ao custo de U$10 mil. No meio dessa escala estão o fígado, rins e pele. Quanto aos países que mais comercializam órgãos estão Israel como maior comprador mundial e as Filipinas como maior vendedor. Somente no Irã existem 137 agências e 23 clínicas ilegais para transplantes de rins, segundo a OMS. Seguem a Colômbia e o Egito.

Mas os dados revelam ainda a China como um país que acha natural a compra de órgãos para transplantes, e cada país tem leis próprias sobre o assunto, não se discutindo ética ou moral quanto a essa prática. Outra questão levantada é quanto à noção de quem vende um órgão para conseguir dinheiro, e quem compra pagando qualquer preço, e que a extração de um órgao para transplante precisa ser feita por alguém que tenha competência para realizar cirurgias delicadas e longas para um resultado final satisfatório.

À tarde os temas foram o tráfico de pessoas para trabalho em condições análogas à de escravo. Entre os debatedores estavam o procurador do trabalho em Goiás Antônio Carlos Cavalcante Rodrigues; o representante do Ministério do Trabalho, Marcelo Gonçalves Campos; a auditora fiscal Jacqueline Carrijo, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Goiás, e dom Ladislau Bienarski, presidente da Comissão Pastoral da Terra.

O coordenador do NETP, Saulo Bezerra, explicou que em Goiás só em 2009 foram liberadas 327 pessoas do trabalho escravo a que eram submetidas, mas que esse numero é pequeno diante do fato de não haver muitas denúncias. “É difícil localizar essas pessoas, só quando um desses trabalhadores-escravos fogem e fazem denúncia”. Ele comenta que um dos problemas em distribuir folhetos explicativos nas comunidades é que a maioria desses trabalhadores é analfabeta, mas que é importante fazer campanhas pelo rádio e TV.

Um aspecto que chama a atenção do emprego de trabalhadores-escravos é que, com a expansão dos negócios sucro-alcooleiros em Goiás, com plantio da cana-de-açúcar e indústria sucro-alcooeiras, também cresceu o número desses trabalhadores, cuja proposta de emprego engana, pois nem sempre recebem o salário prometido. “Queremos chegar onde acontece o aliciamento e hoje contamos com quase 50 organizações governamentais e não governamentais, para discutirmos formas preventivas e o atendimento a essas vítimas”, explicou Saulo Bezerra. (M. R. Mesquita/Ascom Semira)

Fonte do texto: http://www.semira.go.gov.br/index.php?idMateria=84914

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