Sul 21 – Etanol, câmbio e Conselho da ONU devem ser pautas da visita de Obama ao Brasil

9 Janeiro 2011

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 Janeiro 9, 2011
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Cerca de um mês antes da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, ao Brasil, marcada para março, o secretário do Tesouro norte-americano Timothy Geithner cumpriu agenda na última segunda-feira (7) no Brasil, como parte dos preparativos da viagem. Geithner qualificou o Brasil como uma potência econômica e ressaltou que as relações entre os dois países vêm se expandindo. O secretário também afirmou que conta com o Brasil para que a economia global retome a estabilidade.

Para especialistas em Relações Internacionais, encontros entre presidentes de dois países costumam ter forte conteúdo simbólico, mas também são espaço para deliberações importantes. No caso da visita de Obama ao Brasil, logo no início do governo de Dilma Rousseff, o simbolismo seria de que os Estados Unidos têm interesse em intensificar as relações com o Brasil.

As questões concretas a serem debatidas devem ser o intercâmbio na área de energia, com ênfase ao etanol brasileiro, e também os problemas econômicos globais. O Brasil, por sua vez, já deu sinais claros de que deseja debater com os EUA uma nova formatação do Conselho de Segurança da ONU, na qual o país sul-americano deseja ter uma cadeira permanente. (…)

Reaproximação

“Simbolicamente é muito significativo. Representa que os EUA estão abertos a restaurar a relação que tinham com o Brasil”, afirma o diretor do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (Ceiri), Marcelo Suano, que considera que as relações entre Brasil e Estados Unidos não chegaram a diminuir durante o Governo Lula, mas ficaram estagnadas. Isso se deve, segundo o especialista, a dois motivos. O primeiro deles é a política Sul-Sul do Governo Lula, levada, segundo Suano, muito ao pé-da-letra. “O Brasil tem que ser o articulador entre o rico e o pobre, para poder trazer dinheiro para os pobres. Nós deveríamos ter feito uma política externa Sul-Sul, mas não poderíamos ter dado as costas às grandes potências”, afirma.

O segundo motivo seria o da conjuntura internacional em que o Brasil não era um aliado tão importante para os Estados Unidos como é agora. Com a crise econômica vivida pelos norte-americanos e o fortalecimento da economia brasileira, o Brasil passou a ser mais importante para o país da América do Norte. Por esses dois motivos é que, mesmo com as boas relações entre George W. Bush e Lula, não houve, segundo Suano, grandes avanços em termos de cooperação bilateral. “(Bush e Lula) se davam muito bem, mas a configuração era outra, os EUA e o mundo precisavam menos do Brasil do que hoje. Agora, os EUA não têm mais condições de determinar a conduta da sociedade internacional se não tiverem parceiros de peso”.

O pesquisador acredita que os primeiros movimentos do Governo Dilma também indicam que o Brasil quer incrementar as relações com as grandes potências. Um dos indícios seria a fala da presidenta contra o desrespeito aos direitos humanos no Irã, embora Suano acredite que Dilma deva usar isto também para cobrar dos EUA que justifique para o mundo questões como a manutenção da prisão de Guantánamo. Outro indício de uma reaproximação brasileira seria, para o diretor do Ceiri, a nomeação de Antonio Patriota para o Itamaraty. Marcelo Suano acredita que ele terá atuação mais “técnica” que a de Celso Amorim, buscando para o Brasil as melhores negociações no âmbito internacional, independentemente do hemisfério de quem está sentado do outro lado da mesa. (…)

Mudanças no Conselho de Segurança devem demorar

Os especialistas acreditam que o Brasil faz bem ao colocar em pauta a questão do Conselho de Segurança da ONU durante a visita do presidente Obama. Ainda assim, não creem que uma nova distribuição de poder no Conselho ocorra em breve, e nem que o país consiga alinhavar o apoio norte-americano.

Para Marcelo Suano, a renovação do Conselho de Segurança da ONU que contemple novas potências ou os perdedores da Segunda Guerra Mundial (Alemanha e Japão) deve ocorrer. Mas só daqui cerca de uma década. “A renovação é um projeto para daqui a dez, doze anos, porque o mundo ainda está se configurando, não se sabe que mundo vai nascer. Incluir agora alguns atores traz insegurança para as grandes potências. É um processo transitório, é óbvio que alguns países serão incluídos”, acredita.

Suano explica que para o país se cacifar para uma vaga precisa mostrar que é importante para a “regulação do sistema”, o que deve fazer mediando conflitos, especialmente na América do Sul. Ele acredita que o país tem ocupado pouco este papel, deixando uma lacuna no subcontinente. “O Brasil precisa mostrar que tem capacidade para participar do gerenciamento dos demais países do mundo, porque, infelizmente, as relações internacionais se dão a partir de regras formais e informais que são definidas pelas grandes potências”, diz. Outro fator que podem servir para alçar o Brasil a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança é a importância para a economia global. “Ter produtos que sejam essenciais para o cenário internacional. Assim o país tem condições de defender seu posicionamento”. (…)

“Bioenergia seguramente será pauta”

Os especialistas não têm dúvida de que a questão do etanol brasileiro deve ser tema de debate na visita de Obama. Os Estados Unidos são os maiores produtores e consumidores de etanol no mundo. Os norte-americanos produzem o etanol por meio do milho, um biocombustível de menor qualidade que o brasileiro, feito a partir da cana de açúcar. O Brasil possui conhecimento tecnológico superior aos EUA no tema. “O setor de energia é fundamental para os EUA. Eles têm a produção do etanol pelo milho, que não tem a qualidade e a tecnologia do álcool produzido no Brasil pela cana de açúcar. Bioenergia seguramente será pauta”, garante o diretor do Ceiri, Marcelo Suano.

O etanol já foi uma das principais pautas das conversas entre os dois países quando George W. Bush visitou o Brasil, em 2007, e chegou a conhecer instalações da Petrobras. As tratativas, entretanto, pouco avançaram, um dos motivos pelos quais Suano acredita que a relação bilateral entre brasileiros e norte-americanos tem ficado estagnada.

Marcelo Suano acredita que o país deve propor troca de tecnologias, ressaltando que deve fazer uma negociação muito bem construída, para não “entregar” tecnologia simplesmente. “Pode ser feita troca de tecnologia, mas não é entregar. É fazer negociações corretas, bem fundamentadas”.

Ver Reportagem Completa em: http://sul21.com.br/jornal/2011/02/etanol-cambio-e-conselho-da-onu-devem-ser-pautas-da-visita-de-obama-ao-brasil/

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